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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O paradoxo de Moravec

Por Lucas França

Sem dúvida um dos grandes avanços que observamos no mundo se trata da engenharia robótica e a criação de humanoides cada vez mais complexos. Capazes de realizar múltiplas funções e buscar dados em milésimos de segundo. Porém, algo curioso nessa relação é a pouca ‘experiência’ que esses humanoides possuem na hora de realizar funções que consideramos básicas. Por exemplo, realizar expressões faciais ou pegar objetos.

E nessa linha existem inúmeros exemplos:

C3po3 da amada franquia Star Wars não poderia ficar de fora. Sabemos que o mesmo foi interpretado por um mímico, porém é um bom exemplo dessa ‘superficialidade’


Mas então o que dizer de Pepper o humanoide japonês que chega ao mercado esse ano. Ele é capaz de reconhecer expressões humanas e interagir, porém muito estranho ainda nosso amiguinho quando se pensa em um ‘jeito humano de se mover’. Se você gostou ele esta avaliado em cerca de 4300 R$.


Então chega! O que seria esse tal de paradoxo de Moravec e o que ele tem haver com nossos amigos humanoides.
É preciso analisar que possuímos um comportamento inverso da inteligência artificial. Em resumo a facilidade que temos em elaborar um discurso e fazer uma caminhada é totalmente desproporcional para um robô que pode quantificar milhares de dados por segundo.

Esta diferença entre a inteligência natural e artificial é conhecida como Paradoxo de Moravec.
Hans Moravec, um cientista pesquisador no Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, explica essa observação através da ideia de engenharia reversa em nossos próprios cérebros.



Esta engenharia reversa parte do pressuposto que é mais difícil para nós seres humanos reproduzirmos tarefas que realizamos através de forma inconsciente, como realizar funções motoras.
Já o pensamento abstrato, que realizamos através de cálculos e resolução de problemas é algo inserido no comportamento humano a menos de 100 mil anos, logo a forma de resolver esses problemas abstratos é feita de forma consciente. Portanto, é muito mais fácil para os cientistas criarem tecnologias que reproduzem esse tipo de comportamento.
As ações como falar e se mover são inconscientes. No sentido de que não temos controle do processo que leva a essas ações – e em muitos casos nem sabemos direito como acontece. Por isso é mais difícil colocar estas funções em agentes de inteligência artificial.


A busca pelo autoconhecimento é algo de interesse em todas as áreas da ciência.

Lucas França:   Escreve as sextas sobre ciências e curiosidades. É acadêmico de medicina, não leva tudo a sério demais, é movido por emoções e como todo estudante não nega um convite para um café, bom ou ruim.

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